terça-feira, 31 de agosto de 2010

Só uma parte....

Sou só uma parte do que já fui. Ás vezes, parece que me falta o ar. E o coração bate sem parar! Parece o de um cavalo! Há noite, tenho calafrios, ora me tapo, ora me destapo... o meu marido irrita-se. Por vezes, vou na rua e, por qualquer motivo minúsculo, as lágrimas começam a rolar. O que vale é que ando sempre de óculos escuros. No comboio, se fechar os olhos, assaltam-me memórias passadas de momentos que não voltarei a viver: bons e maus.
De manhã é quando menos dói. A loucura da manhã em casa, todos no wc, depois cada um a comer qualquer coisa rápida, pois o relógio não perdoa! Não há tempo para dores ou lembranças.
A partir da tarde é que tudo se complica: o cansaço do meio dia já passado, a saudade dos homens lá de casa, o stress do que fazer para o jantar, a roupa para estender, dar banho ao Diogo, tratar da gata, and so on, and so on.... Já sabem.
Quando chego à cama, lá para a meia-noite, programo o despertar, telemóvel no silêncio, livro à cabeceira em que pego mas logo largo para conversar com um anjinho que me acompanha há alguns meses. Corrijo: ele não me responde, por isso não converso com ele. Falo, pergunto, enraiveço-me, choro convulsivamente por não obter qualquer resposta ou sinal! E, por fim, exausta de tanto chorar... tento aninhar-me com uma gatinha de peluche companheira do anjinho e... adormeço... a poder de medicamentos.
Perdi a minha Querida Mãe em Abril deste ano e desde aí que sou só uma parte do que já fui.
Anita

6 comentários:

  1. Ela está contigo, ela está em ti.
    Beijinho,
    Clara

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  2. Eu sei (ou não) o que tu sentes. Felizmente a minha mãe ainda cá está... mas (podes acreditar ou não), sonho muitas vezes com esse abandono. Não sei o que querem esses sonhos dizer, mas acordo exausta de tanto sofrer.
    Quando perdi o meu avô (pai da minha mãe), a dor foi tão intensa, tão intensa que andava sem rumo, não sabia o que fazer, para onde ir, e parece que parava no tempo.
    Tenho algum receio do que possa acontecer, quando algo acontecer à minha mãe, porque já com o meu avô reagi como reagi e ainda hoje choro, com a minha mãe acho que o mundo vai desabar...

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  3. Olá,

    Durante anos, tive esses sonhos e acordava a chorar! Contava de manhã à minha mãe e ela dizia que lhe estava a dar anos de vida. Acabávamos a rir!
    Mesmo na idade adulta, continuei a tê-los e a dar-lhes muita importância porque a minha mãe era a Luz que me iluminava. Tinha tanto medo de a perder que isso se reflectia nos sonhos! E já vivia sózinha. Mas qualquer coisa que necessitasse, nem que fosse falar, ela estava lá para mim e eu para ela. Éramos a confidente uma da outra: em tudo. Vivemos momentos muito difíceis em que nos escudávamos uma à outra! Deste modo, quase não percebíamos onde começava eu e acabava ela: éramos UMA SÓ.
    Agora, depois de 6 meses, a dor é tão ou mais intensa e sinto a minha recuperação a recuar... É a saudade, é a memória das nossas conversas em fim de vida, são as gargalhadas que deu na cama de hospital, são as lágrimas que chorou por se sentir a perder capacidades...
    Esta dor é a mais intensa e terrível que já alguma vez senti: corrói-me a alma e o coração!
    Tenta ignorar os sonhos (sei que é difícil) e amar a tua mãe como nunca e respeitá-la, dar-lhe o verdadeiro valor e rir com ela. RIR MUITO, até não poder mais! Irás lembrar-te sempre disso, a chorar, mas consolar-te-á!
    Bj, Anita

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  5. Esta mensagem é do Sr. Padre que me deu o abraço mais caloroso na hora mais dura e cruel da minha vida:

    "Olá querida amiga!

    Foi com emoção que recebi o teu email e li o teu blogue. Que belo e maravilhoso o amor de mãe e filha. Nem a morte vos separa. O amor está vivo nos vossos corações. Ela Junto de Deus, tu como peregrina da Casa do Pai onde um dia todos estaremos juntos definitivamente.

    Não sei se já te enviei algum material acerca desta dimensão. Peço desculpa se estou a repetir. Rezo por ti e com a Tua querida mãe que está a pedir por ti.

    Um beijo amigo

    Padre Pedro"

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