sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Eu quero a minha Mãe, quero mesmo!

Há tanto tempo que aqui não venho... Muito trabalho, muito cansaço acumulado, casa, bebé, emprego, pai doente, enfim um churrilho de situações que me têm tirado o entusiasmo de tudo e mais alguma coisa!

Esta época é de crise e para mim a duplicar. O inferno começou há aproximadamente um ano: a minha querida mãe sem apetite, a não comer nada e com dores terríveis e sintomas de infecção urinária inexplicáveis. Ainda ninguém imaginava o desfecho tão inesperado e triste... Mas eu já andava tão preocupada com ela!
O Natal e o Fim de Ano foi passado em Penamacor, na companhia dela, do meu pai e de mais alguns familiares. O Natal em casa, bacalhau, prendas e missa do galo; o Fim de Ano, num restaurante com Reveillon. Ainda nos conseguimos divertir qualquer coisa, mas senti sempre um fantasma de insegurança e preocupação dentro de mim e à minha volta, naqueles dias e nos que se se seguirião.

Esta altura do ano deixou de querer dizer o que quer que fosse para mim! Não existe Natal para mim como antes! Não existe!
No entanto, tenho um filho de 2 anos, o Diogo, que necessita de mim para vivenciar toda a magia do Natal (Pai Natal, etc) que tem sido incutida aos míudos na escola, na tv, no comércio, na convivência com os outros. Se tiver que me vestir de Pai Natal por ele, assim o farei, como nunca ninguém fez para mim! Mas, cá dentro, no meu coração, na minha alma, tudo isto se perdeu. Farei o esforço, sim, só por ele!
Tenho fotos do fim de ano em que a minha cara denota tristeza profunda mesmo estando a sorrir, mesmo não imaginando o que se passaria a partir daí. Algo dentro de mim me dizia que o Inverno ainda iria ser mais rigoroso...

Ando de rastos, quase não tenho tido disponibilidade mental para pensar na minha querida mãe e na falta que ela me faz, pois o emprego e a família têm-me absorvido por completo.

Pensei que tinha perdido a capacidade de chorar... O que em mim seria muito estranho, para quem me conhece. No entanto, às vezes sentia necessidade de chorar e as lágrimas não saíam!!! Mas isto não poderia durar sempre: nos últimos dias, as forças ou a frieza, não sei, têm-me faltado. Choro e grito pela minha mãe!
Como pôde deixar-me??? Como pôde abandonar-me assim??? Eu ainda precisava tanto dela, tanto! Só quero gritar, correr pela rua, subir a um lugar ermo e gritar, berrar mesmo! Perder as forças, deitar as ganas para fora!
Ainda me lembro quando recebi a notícia de que a minha avó materna tinha falecido, num telefonema feito pela minha mamã. Ela chorava tanto, tanto! Amava a mãe como ninguém e de tudo fez sempre para lhe mostrar isso. Nessa noite, eu chorei pela minha mãezinha, pelo sofrimento que sabia que ela estava a sentir por perder a sua amada mãe. Eu sabia o quanto ela amava a mãe e chorei por ela e com ela. Estive sempre a seu lado.
Senti que um dia seria eu... a estar naquela situação... que medo, que terror na minha cabeça!

Eu quero a minha mãe, quero mesmo! Como pôde estar sujeita a tanto sofrimento, ter esperanças de melhorar e acabar assim, como????...... Eu quero a minha mãe, quero mesmo!

1 comentário:

  1. Nita que angústia sinto por te ver sofrer,sem poder ajudar.
    Sabes que apesar de ela não estar contigo fisicamente, deu-te tudo aquilo que és e em que te tornaste - recorda-a distribuindo paz com aqueles que te rodeiam, mostrando amor e e compreensão pelos outros como ela sabia fazer tão bem! Infelizmente não a conheci como queria, mas sei que era assim, uma pessoa boa! A tua Mãe está contigo, porque ela e tu são uma única pessoa, por tudo aquilo que dela tu carregas tão bem em ti!
    Partir é apenas não ser visto. Eu sei que ela está sempre contigo!
    Um abraço grande e terno. Celia

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